27 de agosto de 2015

Barbearia Moura "BARBEIRO" Com 150 anos em S Martinho de Mouros, Conselho de Resende




              BARBEARIA MOURA  "BARBEIRO"
                        Agostinho Pinto Moura 

A trabalhar á 60 anos nesta Barbearia, é de louvar, e que é o terceiro dono, ou seja o fundador trabalhou 40 anos, o segundo trabalhou 50 e o atual á 60 anos, que faz 150 anos a Barbearia Moura, de certeza a mais velha do conselho de Resende e do País

Nas minhas ferias, na minha terra natal tive o prazer de conversar com ele o Sr. Agostinho Pinto Moura, e que mostrou ser um apaixonado da profissão de barbeiro, e que apesar da sua idade já não ser muito jovem, encontrei nele um homem de grande interesse e grande cultura que me apeteceu fazer esta pequena reportagem no blog, e que no nosso dialogo me foi dizendo que quer estar sempre actualizado para atender seus clientes o melhor possível.

Agostinho Pinto Moura, meu amigo e colega de profissão, tem uma vida dedicada ao seu oficio, com sessenta anos a cortar cabelos na sua barbearia, que merecia bem ser mais reconhecido pelas entidades  competentes.

Todos sabemos que é uma profissão das mais antigas do mundo, e que passaram e passam todas as pessoas de todos os quadrantes da vida social e politica, desde o louvável e prestigiado cavador, até ao supremo dum país, que é o Presidente da Republica, que noutros tempos  era o Rei.

Nas antigas barbearias eram polivalentes para prestarem muitos serviços, e o barbeiro foi sempre um relações publicas e humanas, que como o povo tem conhecimento antigamente os  barbeiros eram muito requisitados pelo povo, que eles eram barbeiros sangradores, barbeiros dentistas, e barbeiros cirurgiões, que tratavam das pequenas cirurgias e tiravam dos dentes e fazias as sangrias.

Temos que dar o valor aos barbeiros, que antigamente a Câmara  e o Registo Civil e a Igreja e os comerciantes e empresários punham os editais nas barbearias para informar o povo de tudo ate para vender o gado e todos os géneros, e então iam a barbearia informarem-se e dar um pouco de conversa com o barbeiro, e então vem dai dizerem que o barbeiro sabe de muita coisa, mas é cultural o saber do barbeiro.

Agostinho Pinto Moura, desejo Que permaneça e viva muitos anos a cortar cabelos na barbearia com 150 anos de existência, e o colega já conta com 60 anos, como dono dela a cortar cabelos em S Martinho de Mouros, para essa boa gente, que nunca esqueci minhas origens, do que fui e donde vim, que trazemos nossa terra no coração.

Um abraço amigo
Joaquim Pinto

                                       Lisboa 27 de Agosto de 2015

4 de agosto de 2015

Curso de Cabeleireiros 14 - do I E F P

A escola de Curso de Cabeleireiros 14 - I E F P da Amadora , visitou o museu do barbeiro e Cabeleireiro no Apolo 70 em Lisboa.
Estivera Presentes, Fernanda Filipa, Ana caramelo, Júlia Costa, Fatiam Silva, Cristina Carvalho, João Carvalho, Sandra Sousa, e Maria Morais.
Uma turma com grande interesse em saber como era a nossa   historia da profissão de cabeleireiro.

Turma de Cabeleireirosda Escola de Visage Formadores

No dia 20/04/2015 a Turma de cabeleireiros da escola de Visage e Formadores, visitaram  o Museu do Barbeiro e cabeleireiro no Centro Comercial Apolo 70 em Lisboa, onde mostraram grande interesse em verem o espólio que faz parte do museu e recordarem os nossos antepassados.

1 de agosto de 2015


A expectativa do jovem.

No meu tempo quem mandava nos cortes das crianças , eram os pais e acabou-se.
As maquinas de cortar cabelo eram manuais, algumas mas não cortavam os cabelos, mastigáva-os e os putos (coitadinhos ) sofriam calados! Hoje, não imaginam os seus cuidados com os cabelos, o que me torna atento ás suas preferências, se os quero ter como clientes.

25 de julho de 2015

Ricardo Filipe Santos Costa "Barbeiro em Penafiel"

 

"Barbeiro de Penafiel Visitou museu do Barbeiro"

Este jovem fez uma visita ao Museu do Barbeiro e Cabeleireiro em Lisboa o Apolo 70, onde vi que tinha grande interesse em conhecer mais um pouco dos utensílios da profissão, e que gosta um pouco da historia e sobretudo donde viemos e para onde vamos.

Gostei muito de lhe dar a maior atenção visto este jovem ter muita humildade e sabe muito ouvir os mais velhos, e então troquei boas impressões  da profissão dos barbeiros e cabeleireiros, e que fique com a consistência que vem a ser um talentoso profissional,  que já o é com certeza.

Ainda gosto de explicar alguma coisa do meu pouco saber, a quem pensa que não sabe tudo, porque aos que sabem tudo não se pode explicar porque já não conseguem aprender, porque já perderam uma coisa
 importante que é a modéstia ou humildade, e já não ouvem ninguém.

Amigo Ricardo Filipe,  boa sorte para  para prosperar sempre na profissão, para dignificar essa boa gente do Norte.

21 de julho de 2015

Câmara Municipal com novo horário

Município aplica as 35 horas semanais aos trabalhadores

2015-07-21
Edificio da Câmara Municipal de Resende
Foi publicado no dia 17 de julho, em Diário da República, o novo Acordo Coletivo de Empregador Público para o Município de Resende, para aplicação das 35 horas semanais aos trabalhadores, que produziu efeitos a partir de 20 de julho (segunda-feira). Assim, o Município passa a praticar o seguinte horário: das 09h00 às 12h30 e das 13h30 às 17h00.

16 de julho de 2015

Presidente entrega equipamentos de proteção aos Bombeiros de Resende

Novos equipamentos garantem maior segurança aos soldados da paz

2015-07-15
Presidente entrega equipamentos de proteção aos Bombeiros de Resende
O Presidente da Câmara Municipal, Garcez Trindade, acompanhado pelo restante Executivo Camarário, entregou 26 novos equipamentos de proteção individual de combate a incêndios florestais à corporação dos Bombeiros Voluntários de Resende, numa cerimónia realizada no dia 10 de julho, no Salão Nobre do Quartel.

6 de julho de 2015

Afiador de laminas a corda

 

Este afiador de laminas a corda, é com certeza o primeiro que apareceu no mercado, como devem ver uma peça muito original

13 de junho de 2015

  Museu do Barbeiro e Cabeleireiro
Museu do Barbeiro e Cabeleireiro                        
            Co    Cortar e afeitar é uma arte que já tem barbas
Nelson Jerónimo Rodrigues
 
Na cave do Centro Comercial Apolo 70, em Lisboa, há um baú de recordações com mil e um objetos que ajuda a contar a história dos cabelos, barbas e afins. Lâminas e navalhas, ferros de revirar bigodes ou utensílios de barbeiro-dentista são algumas das preciosidades reveladas neste museu pelo cabeleireiro Joaquim Pinto. Então, como vai ser? Uma mise, uma permanente ou um corte à escovinha?
 
Foi inaugurado há pouco mais de um ano (fevereiro de 2014) mas tem uma história quase tão longa quanto os cabelos de Sanção. O Museu do Barbeiro e Cabeleireiro resulta de três décadas da pesquisa e recolha de Joaquim Pinto, cabeleireiro desde 1966 que dedicou boa parte da vida a juntar relíquias relacionadas com a sua profissão.
Depois de muitos anos a mostrar a coleção aqui e ali - expôs em todo o país e até em França - decidiu abrir um espaço permanente onde o espólio pudesse ser admirado quase todos os dias (apenas encerra ao domingo). A cave do Apolo 70 pode parecer um local inusitado mas tem uma razão de ser: é lá que funciona o salão Pinto`s Cabeleireiros, inaugurado em 1971 no mais antigo centro comercial de Lisboa. E assim, enquanto dá umas tesouradas e apara uns bigodes, pode dar um saltinho à loja vizinha e abrir (gratuitamente) o museu a todos os interessados.

Tesoura e navalhas que fizeram história
O espaço divide-se em duas pequenas salas (contíguas) repletas de objetos. Na primeira saltam à vista duas imponentes cadeiras de barbeiro, uma centenária, oferecida por um colega de profissão de Almeirim, e a outra com cerca de 150 anos, comprada numa feira de Oeiras por 45 contos. Ainda mais valiosas são a navalha de barbear e a escova do rei D. Carlos, emolduradas junto às tesouras que, nas mãos do próprio Joaquim Pinto, cortaram pela última vez o cabelo ao ex-primeiro ministro Sá Carneiro.
De todas as peças, a favorita de Joaquim Pinto é um conjunto de navalhas de barbear, uma para cada dia da semana, mas há outra que lhe traz ainda mais memórias: a ferramenta utilizada na primeira vez que cortou (profissionalmente) o cabelo a alguém (num salão que teve em Moscavide) no final dos anos 60. Mas antes disso já a recruta e a guerra colonial tinham sido passadas de tesoura e máquina zero na mão. O jeito revelado foi tanto que, ainda hoje, corta o cabelo ao Comandante e a outros homens da sua antiga companhia.
A história dos cabelos e da barba é contada através de objetos muito antigos, como uma bacia em louça da Companhia das Índias, e outros mais tecnológicos (para a época) que parecem saídos dos filmes de ficção científica do início do século passado. São os casos de um secador de pé com corrente de 110 volts ou de uma máquina de fazer permanentes a quente utilizada nos anos 40. Curiosos são também os antigos ferros de frisar cabelos e bigodes, uma maleta em cortiça de um barbeiro ambulante alentejano e um diploma da Associação de Barbeiros, Cabeleireiros e… Amoladores. Sim, em 1855 os três ofícios faziam parte da mesma corporação.
Em tempos idos os barbeiros tinham ainda mais responsabilidades. Até 1870 alguns também arrancavam dentes, função recordada, por exemplo, com um estojo portátil de higiene oral, e outros ainda faziam pequenas cirurgias e sangramentos, como mostram algumas bacias e utensílios da época. Na altura não havia anestesia mas uma bebida alcoólica (quanto mais forte melhor) ajudava a disfarçar a dor.
Segredos bem guardados e relíquias para o mundo ver
Num canto do museu encontramos mais preciosidades, com destaque para uma coleção de giletes descartáveis e para uma cadeira de barbeiro bicentenária em madeira. Já na divisão mais pequena do museu estão expostos vários livros, ilustrações e cartazes mas o que mais sobressai são os frascos outrora utilizados para guardar produtos indispensáveis numa barbearia, como a brilhantina, a água de colónia ou o pó de talco.
Junto a eles, uma moldura com recortes de jornais mostra algumas das muitas notícias sobre Joaquim Pinto e o seu estabelecimento. “A Catedral do corte e penteado”, titula uma, “A arte de ser discreto”, diz a outra, e por aí em diante. Uma fama que vem de longe e continua a atrair inúmeros ilustres, da política ao mundo dos negócios. Muitos acabam por deixar escapar alguns segredos e até desabafar sobre a vida pessoal mas o que contam fica no segredo dos Deuses. Haverá melhores confidentes que os barbeiros? “Nem os padres!”, brinca Joaquim. O que é para guardar não sai das paredes do salão. O resto está à vista de todos no Museu do Barbeiro e Cabeleireiro.

2015-03- 23

 

11 de junho de 2015

PAUS-RESENDE
Palavras e afectos em torno de Resende

quinta-feira, junho 11, 2015

VISITA DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA A RESENDE: Rota do Românico motivou esta visita*

 O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, visitou o concelho de Resende, no dia 8 de junho, onde conheceu o Mosteiro de Sta. Maria Cárquere, o Museu Municipal e a Igreja Matriz de S. Martinho de Mouros.
No Mosteiro de Sta. Maria de Cárquere, Aníbal Cavaco Silva teve oportunidade de observar a arquitetura monumental, os frescos antigos existentes nas paredes por detrás dos retábulos e uma escultura miniatural, visigótica, com 29 mm de altura, em marfim, da padroeira da igreja.
Em Resende, o Presidente da República, visitou o Museu Municipal, onde observou a exposição de etnografia que caracteriza os usos e costumes da região, uma mostra relativa à Rota do Românico e a exposição permanente “Edgar Cardoso, Pontes no Douro”. Nesta ocasião, o Presidente da Câmara Municipal de Resende, Garcez Trindade, teve oportunidade de oferecer ao Presidente da República uma salva com o brasão do Município, a nova Monografia da Rota do Românico e a Maria Cavaco Silva, um presépio artesanal, gentilmente cedido pela Douro Arts & Events.
A visita finalizou na Igreja de S. Martinho de Mouros, onde alguns elementos, professores e alunos, da Orquestra da Escola Secundária de Resende protagonizaram um momento musical e crianças, professores e funcionários do Centro Escolar de S. Martinho Mouros distribuíram as tão deliciosas cerejas de Resende. Depois de uma explicação sobre as origens e a evolução do templo, o Presidente da República interveio durante uma sessão solene que assinalou a visita ao concelho e à Rota do Românico.
Na sessão solene, Aníbal Cavaco Silva transmitiu uma mensagem de esperança, salientando que “estamos a viver uma nova fase. Essa nova fase, penso que nos traz um pouco mais de certeza de que conseguiremos vencer e ultrapassar as dificuldades que têm sido grandes. Os portugueses conheceram grandes sacrifícios nos últimos anos, mas agora temos de enfrentar o futuro com confiança. É essa a posição em que me encontro: olhar o futuro com confiança”.
O Presidente da República deixou, ainda, um apelo aos autarcas da região para aproveitarem os fundos comunitários disponíveis até 2020, de modo a conseguirem atrair mais investimentos para a região.
Na ocasião, o Presidente da Câmara Municipal de Resende, Garcez Trindade, lamentou “as medidas penalizadoras do Poder Central que ditaram o encerramento do serviço de urgência noturno no nosso Centro de Saúde e o encerramento do Tribunal, fazendo desaparecer o nosso órgão de soberania e com ele a dignidade que oferecia a todos os resendendes. Disse, também, que “Resende não foi feliz na negociação que o Governo teve com a Comissão Europeia no âmbito do acordo de parceria Portugal 2020, uma vez que não foi atribuído envelope financeiro para a “last mile”, que daria a acessibilidade para ligar Resende e outros concelhos a uma via rodoviária estruturante, absolutamente necessária para o desenvolvimento económico do nosso concelho e da região”.
Acrescentou, ainda, que apesar de tudo “em Resende produz-se 5 vezes mais energia do que a que se consome no concelho, existem estratégias definidas no setor primário, nomeadamente na exportação de cereja, no setor agroalimentar, no turismo de saúde e bem-estar e no turismo cultural e religioso. Não podemos esquecer a Serra de Montemuro e o rio Douro aos pés que, com certeza, comportarão iniciativas ligadas às oportunidades que o Quadro Estratégico Comum abrirá”.
Com esta visita a Resende, o Presidente da República promoveu não só o concelho, como o património arquitetónico da região. 
*Notícia remetida pelo Gabinete de Comunicação e Imagem da CM de Resende
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10 de junho de 2015

PAUS-RESENDE
Palavras e afectos em torno de Resende

quarta-feira, junho 10, 2015

António Borges é comendador

O ex-presidente da Câmara Municipal de Resende e actual presidente da Assembleia Municipal de Resende é,  desde esta manhã,  comendador da Ordem do Mérito. O Eng. António Manuel Leitão Borges foi uma das mais de 40 personalidades condecoradas, em Lamego, pelo presidente da República, no âmbito das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. 
Recorde-se que o Eng António Borges é o actual presidente da Federação de Viseu do Partido Socialista, a quem,  pelos pergaminhos do passado e pela sua actual e influente acção política, muitos adivinham outros voos correspondentes às suas ambições.
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9 de junho de 2015

segunda-feira, junho 08, 2015

Hoje, em S. Martinho de Mouros: Encontro de Cavaco Silva com Joaquim Pinto, seu barbeiro de longa data

Cavaco Silva mandou dizer a Joaquim Pinto que estaria hoje, dia 8 de Junho, em S. Martinho de Mouros, sua freguesia natal. E o nosso conterrâneo foi ao seu encontro.
Veja aqui
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Publicado por Marinho Borges Às 23:27

7 de junho de 2015

Aurélio Cunha "Jornalista"




Aurélio Cunha Meu Camarada de Tropa na Guiné, e era Furriel Vagomestre, e que já na altura se mostrava uma pessoa evoluída para o tempo, pois não esperou por fazer uma carreira brilhante como Jornalista que marcou uma época, e que agora me faz um convite abaixo escrito para esta Sábado próximo para uma sessão de autografo na Feira do livro de Lisboa no próximo sábado dia de Santo António, para vermos e comprarmos o livro "UM REPÓRTE INCONVENIENTE"






Em 06-06-2015 9:23, Aurélio Cunha escreveu:
Meu caro Joaquim Pinto
 
 
Queria convidá-lo a estar presente, não para o rancho da CC 703 mas para a sessão de autógrafos do meu livro “UM REPÓRTER INCONVENIENTE-Bastidores do jornalismo de investigação”, que farei no próximo sábado (dia de Santo António), na Feira do Livro de Lisboa. O evento ocorrerá no stand da Chiado Editora, a partir das 16 horas, prolongando-se até às 20, segundo creio.
Tive ontem o prazer de falar com o Serrão, outro furriel da nossa companhia, que viu-me numa entrevista na RT2 e faz questão de estar presente. Gostaria muito que também lá fosse. Espero por si.
      
 Um abraço e até ao próximo sábado,
Aurélio Cunha
-Se se lembrar de malta da nossa companhia que resida por essas bandas seria então óptimo que também aparecesse. Convido-os em meu nome, por favor,



6 de junho de 2015




Aurélio Cunha revela os bastidores dos primórdios do jornalismo de investigação em Portugal

 
 

Ex-repórter do "Jornal de Notícias" e antigo colaborador do Expresso lança este sábado o livro

Foi um dos grandes e porventura dos mais ousados e atrevidos repórteres portugueses da segunda metade do século XX. Quando ainda ninguém teorizava sobre jornalismo de investigação, sobretudo num país ainda em ditadura ou acabado de conquistar a liberdade, Aurélio Cunha assumiu como uma espécie de missão contar o que a todos escapava, narrar o inimaginável, destapar escândalos impensáveis, como a história do sangue contaminado no tempo de Leonor Beleza como ministra da saúde, mas sempre com uma preocupação quase obsessiva: assegurar a veracidade dos factos, garantir a impossibilidade de ser desmentido. As histórias por trás das grandes histórias que deram manchetes inesquecíveis e fizeram esgotar sucessivas edições do "Jornal de Notícias" são agora contadas no livro que é apresentado este sábado, a partir das 16 horas, na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto.
Aurélio, retirado há alguns anos, começou por escrever para publicações ligadas à Juventude Operária Católica, colaborou com o "Diário do Norte", um jornal muito ligado ao Estado Novo e onde acaba por lhe acontecer uma deliciosa história com a censura, e chega ao "Jornal de Notícias" em março de 1973.
Num tempo ainda muito distante da presença das televisões no quotidiano dos cidadãos, o JN, tido como o jornal do povo, era o local para onde o povo telefonava sempre que queria comunicar um desastre, uma desavença entre vizinhos, um incêndio, um roubo, uma agressão, e tudo o mais que o dia a dia gerasse.
É para esse ambiente que entra Aurélio Cunha, mas depressa dá consigo próprio inconformado com um jornalismo rotineiro, muito dependente de casos de polícia e até das visitas regulares aos hospitais e às sedes das diferentes polícias para ver se havia alguma coisa. Quase sempre havia, mas o que havia era o mesmo de sempre.
Furar as rotinasAurélio decide começar a furar as rotinas, mesmo, segundo conta, com a incompreensão das chefias, num tempo em que era ainda visto como um luxo, ou até um sinal de arrogância, um jornalista pretender estar fora da agenda para se dedicar em exclusivo à investigação de temas que, pela sua delicadeza ou complexidade, exigiam uma grande disponibilidade. Foi um combate difícil. Aurélio, garante, chegou a ter de meter sucessivas baixas psiquiátricas para poder, assim, dispor do tempo exigido pelas investigações. Depois, no final da baixa, aparecia no jornal com uma reportagem escrita, pronta a publicar, quase sempre durante vários dias e por regra tão forte e apetecível que provocava uma desmesurada procura do jornal.
Se fosse necessário, e para conseguir os seus objetivos, Aurélio disfarçava-se, assumia outras identidades, aparecia na cadeia da relação do Porto ofegante, e apresentava-se como o sacristão que já devia lá estar para participar na missa da consoada de 1973. Admirados, mas não desconfiados, os guardas deixam-no entrar e é deste modo que o jornalista consegue aceder ao contacto com os presos.
Escândalo na cadeiaAinda o mundo dos presos deu origem a uma série de trabalhos na cadeia de Custóias, nos quais se falava de violação de menores, tráfico de droga e outras enormidades passadas no interior da prisão. O escândalo foi maiúsculo. O diretor da prisão foi afastado, houve uma investigação, foi criada nova legislação para tentar prevenir aquele tipo de situações e consignada verba para criar 250 novos lugares de guardas prisionais. Num livro que em alguns momentos em muito se assemelha a um profundo mergulho num mundo de aventuras, mas aqui feito de realidades, Aurélio Cunha vai passeando por alguns dos seus trabalhos e mostra como no jornalismo há importantes componentes que podem ser ensinadas, mas o essencial passa pela capacidade do repórter perceber, ou não, a dimensão do que lhe passa à frente dos olhos.
O caso do sangue contaminado, porventura uma das mais poderosas reportagens de Aurélio Cunha, é disso exemplo paradigmático. A história nasce de um verdadeiro "fait divers". Um dia, no início de 1988, telefona-lhe uma tal Gina, que se apresenta como amiga da Manela, filha da D. Guiomar. A evocação do nome de D. Guiomar era, na opinião de Gina, o passaporte para Aurélio aceitar ouvi-la. E porquê? Porque a D. Guiomar recorria com frequência ao JN e a Aurélio Cunha devido a uma situação muito particular. Como morava numa curva da estrada Exterior da Circunvalação, via o muro de sua casa com frequência abalroado e destruído por camiões e isso era motivo de notícia.
Gina e o sangue contaminadoOra, com base naquela confiança, Gina achava que Aurélio poderia dar um jeito numa situação por ela vivida. É que no edifício onde trabalhava, junto ao mercado do Bolhão, havia sempre "uns manguelas" deitados debaixo das escadas a espreitar as pernas das mulheres que subiam as escadas. Estupefacto, Aurélio tenta num primeiro momento explicar que nada pode fazer, mas face à insistência, até porque costuma dar as notícias da D. Guiomar, o jornalista, já em desespero, pergunta-lhe se os "manguelas" vão para lá de propósito para espreitar as pernas. A resposta desencadeia um notável trabalho jornalístico com enormes consequências no sistema de saúde português. Gina explica a Aurélio que aquela gente está ali a fazer horas para ir ao segundo andar dar sangue.
Aurélio Cunha poderá ou não ter saltado da cadeira, mas percebeu de imediato ter ali uma grande história, como se veio a comprovar. Marginais do Porto estavam a ser pagos para dar sangue e tudo era feito sem qualquer controlo e, consequentemente, com gravíssimas consequências face às fortes hipóteses de ser aquele um veículo de transmissão do vírus da Sida. A 8 de fevereiro de 1988, o JN publicava na primeira página, "em letras garrafais, a vermelho", como diz Aurélio Cunha, "um grito de alarme que preocupou o país e abalou o Ministério da Saúde". O título era: "Sangue - transfusões mortais em Portugal".
O resto da história é conhecido. Foi uma das situações mais dramáticas e traumáticas vividas pelo ministério dirigido por Leonor Beleza, tanto mais que, recorda Aurélio, "meses antes fizera chegar à caixa de correio de cada família portuguesa um prospeto a prevenir que o vírus da Sida também se transmitia por transfusão de sangue não corretamente selecionado". Ao mesmo tempo assegurava que, em Portugal, "o sangue usado nas transfusões e os produtos dele derivados são devidamente controlados".
O caso assumiu proporções gigantescas e ficou como um marco dos primórdios do jornalismo de investigação em Portugal, feito ainda com escassos meios. Ao longo de mais de 400 páginas, Aurélio Cunha provoca uma espécie de regresso a um tempo e a uma forma de fazer jornalismo já inexistentes, mesmo se continuam a ser as mesmas as necessidades e urgências que se colocam ao jornalismo que não se pretende acomodado.